Eis meu segredo. É muito simples: só se vê bem com o coração. O essencial é invisível aos olhos.

Uma obra que pode ser considerada atemporal, O Pequeno Príncipe narra a história semifictícia de um homem que faz um pouso de emergência no deserto do Saara e lá encontra um pequeno garoto que diz ser de outro planeta e começa a contar sua história. Superficialmente parece ser uma história reservada apenas para crianças, porém está errado quem pensa assim, o livro é repleto de pequenas sutilezas que podem servir para todos começarem a traçar um caminho em busca de si mesmos. Não é à toa que Martin Heidegger, grande filósofo existencialista considerou esta a maior obra existencialista do século XX. Além disto, é o livro mais traduzido da história depois da Bíblia e do Alcorão.

Tão comovente quanto o livro foi a própria vida de seu escritor. Jean-Baptiste Marie Roger Pierre de Saint-Exupéry nasceu em 1900 na cidade de Lyon. Duas características marcantes que eram vistas em Saint-Exupéry em sua infância eram sua criatividade e imensa vontade de voar. Em 1921 foi chamado para a força aérea Francesa, porém incumbido de ficar no solo consertando aviões. Por este motivo decide realizar um curso de aviação por conta própria. Durante o seu curso, enquanto seu instrutor estava distraído, Saint-Exupéry decide decolar sozinho, sem ter tido nenhuma instrução em como pousar o avião! Para a surpresa de todos este consegue pousar aos solavancos tendo como consequência apenas uma cabine pegando fogo e duas semanas de prisão…

O futuro aviador e escritor Antoine de Saint-Exupéry, com sete anos de idade.

Talvez a parte mais emocionante da vida deste homem foi em 1934, quando junto com seu mecânico Prévot tentam quebrar o recorde de velocidade Paris-Saigon. No meio do caminho uma pane derruba o avião no meio do deserto da Líbia. Sem água, sem comida e com um calor escaldante passam quatro dias de sede e fome, tentam captar o orvalho da noite com lonas do avião e quase morrem envenenados. Ao fim do quarto dia Prevot crê estar vendo um anjo. Na verdade é um beduíno do deserto que os salva da morte certa.

Avião após a queda no deserto

Em 1944 Saint-Éxupéry realiza seu último voo, em meio a segunda guerra mundial, e seu avião é abatido. Apenas em 1998 conseguem descobrir que seu avião foi abatido por um soldado Alemão chamado Horst Rippert. Ao saber disto, este reconhece: “Se eu soubesse que quem estava pilotando era Saint-Exupéry, jamais o teria derrubado. Todos nós líamos seus livros.”

Durante sua queda no deserto, Exupéry percebeu que o único meio de se manter vivo era dar atenção a beleza das pequenas coisas, do céu estrelado à raposa do deserto se alimentado de pequenos caracóis. Com certeza voltou mudado desta viajem, muito mais ligado às questões humanas. Essa história é extremamente parecida com o pequeno príncipe, que aparece para ajudar e ensinar o piloto caído a amar a vida e encontrar sentido novamente. Quem sabe nos dias de fome e sede ele realmente tenha avistado o príncipe…

 

“Em um mundo em que a vida se une tanto à vida, em que as flores amam as flores no leito dos ventos, em que o cisne conhece todos os cines, só os homens constroem sua solidão”

 

Título: O Pequeno Príncipe
Autor: Saint-Exupéry
Editora: Geração
Ano: 2015
Número de páginas: 129

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